03 fevereiro 2013

trinta e três

sorri quando a vi. ou melhor, olhei para ela e ri-me por ela se estar a rir de eu me estar a rir. reconheci-lhe esse riso e reconheci em mim as saudades dela. sabe-me sempre bem sentir que não passou tempo nenhum e que ela nunca esteve fora da minha vida. e no entanto querer saber tudo, que ela me conte todas as histórias que lhe aconteceram e que me fale de todas as pessoas que conheceu. mas gosto que ela pergunte "e tu?" e que eu simplesmente responda "estou bem!". e que tudo volte a ser como era antes de ela se ter ido embora.



inspiração: Carol

02022013

02 fevereiro 2013

trinta e dois

branco
à minha frente tudo branco
opaco, vácuo, vazio
e luz
luz que fere os olhos
arde por dentro
arde nos olhos
fere por dentro



inspiração: sem inspiração

01022013

01 fevereiro 2013

trinta e um

chegaste ao primeiro fim. quanto custou? quantas vezes não acreditaste? quiseste desistir logo no primeiro dia e no segundo e no terceiro. todos os dias quiseste um bocadinho desistir. todos os dias te obrigaste a dar mais um passo.
segue em frente e vai olhando para trás. nunca sabes de onde pode vir uma inspiração.



inspiração: o primeiro mês!

31012013

trinta

Ela chega a casa, liga o aquecedor e deixa o frio lá fora. Põe um disco a tocar e vai até à cozinha. As luzes de natal na janela convidam a coisas quentes e doces. A bancada limpa e as tigelas coloridas convidam a sujar as mãos de manteiga e açúcar. Ao chocolate derretido junta-se o licor e as bolachas. Ela gosta do som da casca de ovo a partir-se e do barulho que faz o papel de alumínio.
Ela abre o frigorífico, tira o salame e corta uma fatia. Põe um saquinho de chá e um pau de canela na água quase fervida. No sofá, esperam-na uma manta polar e o livro já no fim. É noite e está frio lá fora.



inspiração: salame de chocolate

31012013

31 janeiro 2013

vinte e nove

foi o riso
é sempre o riso
vai sempre ser preciso que me faças rir desta maneira

foram os dedos
naquele dia os teus dedos
que se fizeram enredo com os meus desta maneira

foi de repente
tudo foi de repente
e é ponto assente que não podia ser de outra maneira



inspiração: vinte e oito

30012013

vinte e oito

foi o riso
sempre o riso
foi por ser tão fácil
foi por ser tão de repente
tão confortável



inspiração: Carta de Paris, Fausto

Carta De Paris by Fausto on Grooveshark

30012013

30 janeiro 2013

vinte e sete

(abre os olhos
lá fora é noite
o despertador insiste que já é manhã
a cama está quente, em flanela e edredon
mas o relógio diz que esse tempo acabou

a água corre
ferve, arde
lava o sono e os sonhos de uma vez
lava a cara e o corpo ainda cansado
e o relógio diz que o tempo já vai adiantado

pão torrado
manteiga fresca
o pequeno-almoço é tomado a correr
uma caneca de café com leite bebido de um trago
e o relógio ainda diz que o tempo é tão vago

o dia passa em alvoroço
entre o metro e o escritório e o almoço
a tarde já vai longa
a noite cai
o regresso a casa ainda vai tardar
e é quanto baste para naquele momento
ele suspirar)

acaba o dia
sai exausto
ao encontro do frio e do fumo e do trânsito
desaparece camuflado na multidão de gente
e o relógio não pára, manda o tempo ir em frente

abre a porta
e o sorriso
em casa há risos e está calor
cheira à comida já pronta do jantar
e ele diz ao relógio que o tempo ali não tem lugar

e à noite encontra o amor
numa cama de flanela e edredon
os filhos dormem descansados
a mulher sorri
é tempo de o tempo parar
e é quanto baste para naquele momento
ele suspirar



inspiração: vinte e quatro

29012013