19 janeiro 2013

dezanove

está escuro. vejo só as sombras das coisas. reconheço-as pelos contornos. adivinho-lhes as cores mas não as vejo realmente.

estás longe. vejo-te só ao fechar os olhos. como uma mancha. imagino as tuas expressões mas são só sombras desfocadas.


inspiração: o que me passa pela cabeça neste momento em que não tenho vontade nenhuma de escrever


19012013

dezoito

A chuva cai lá fora e cá dentro
Molha-me os ossos, a carne, os nervos
Fico encharcada e fria

O vento entra pelas janelas e pela pele
Enregela o sangue, congela os orgãos
Fico branca e roxa

O frio invade-me a casa e o corpo
Toma conta das minhas mãos e da minha cara
Fico gelada e morta


inspiração: o temporal lá fora

18012013

18 janeiro 2013

dezassete

a minha cabeça tem muitas janelas
nos dias em que elas permanecem fechadas fica tudo muito escuro e silencioso
é preciso abri-las para deixar entrar o ar fresco e deixar voar as borboletas


inspiração: sem inspiração

17012013

17 janeiro 2013

dezasseis

já era altura de andarmos em frente. de pegarmos na nossa vida, na nossa casa e em tudo o que tínhamos feito até aí, e de partirmos em direção a outra coisa. estava na hora de pegarmos nos dias e fazê-los nossos, de marcarmos as nossas horas, de fazermos nascer o nosso dia e a nossa noite.
já era altura de fazermos acontecer exatamente aquilo que queríamos, tal como queríamos, onde quer que fôssemos. estava na hora de estarmos à frente, de imaginarmos o caminho certo e de o seguirmos.

então pegámos na nossa vida, na nossa casa e em tudo o que tínhamos feito até aí e fomos.


inspiração: esta imagem, daqui















16012013

16 janeiro 2013

quinze

perdi o meu coração no meio da rua. foi distração... deixei-o num canto qualquer e nem reparei.
e na verdade só dei pela sua falta quando, ao chegar a casa, senti passar-me no peito uma corrente de ar.
saí a correr à sua procura mas já não te vi... já não o vi. foi em vão.
passaram os dias e eu quase sem respirar. a corrente de ar era cada vez maior.
imaginei o meu coração em pedaços por aí: no meio da calçada, pousado numa janela, pendurado num sinal de trânsito.
tentei ficar triste, esperei pela dor, mas no meu peito estava um buraco e eu não conseguia sentir nada.
num dia normal, ao atravessar a rua, vi-te passar. ias apressado e com ar preocupado, sem olhar para o chão. à procura de alguém.
tinhas na mão uma trela e, guiado por ela, o meu coração.


inspiração: corações nas passadeiras

15012013

catorze

deito-me e de repente é como se estivesses aqui
viro-me para o teu lado como se estivesses aqui
fecho os olhos para te ver como se estivesses aqui
durmo


inspiração: sono, frio e vazio

14012013

14 janeiro 2013

treze

A vida está cheia de coisas bonitas mas não consegues ver nada quando tens os olhos cheios de água.


inspiração: sem inspiração

13012013